sexta-feira, julho 30, 2004

Ab imo pectore

São tempos amenos, estes...

A vida vive-se um dia de cada vez. Ou no obturador da minha câmara, ou na baira das seis cordas das minhas guitarras. A arte é por definição uma forma expressão sui generis do artista, pois este comunica pela arte!
Não que me considere um artista. Nada disso!

Sou apenas alguém que gosta de fazer algo diferente, nem que apenas para me sentir realizado com isso.

Tantas e quantas vezes não me senti como pequenos retalhos de uma alma outrora completa! Creio que enquanto não posso ficar com os outros pedaços que perdi algures, terei que complementar essas lacunas com as minhas formas de expressão, mesmo que não sejam nada de mais. Uma palavra é mais que uma palavra: é um suspiro; uma fotografia é mais que uma imagem: é uma visão diferente de algo; um acorde é mais do que um som: é um sentimento!

São tantas as coisas doces por descobrir nesta vida...!

Por exemplo... Estar no meio de um deserto (entenda-se numa multidão de corpos vazios), e encontrar um ombro amigo, que sempre esteve debaixo do nariz, mas nunca soube até que ponto! Sentir a solidão desvanecer nem que por uns breves instantes (mesmo que seja horas ou dias não passam de momentos, pelo menos numa vida como esta)! O reconstruir de um coração vazio...
Há lições de vida que surgem assim: devemos prestar sempre atenção ás pequenas coisas. Tanta vez isso me falhou e não vi o que era óbvio! Agora tanto me arrependo de todo o tempo que perdi... Sempre gostei da filosofia de 'livin' on the edge', e agora vejo que nunca a segui à risca!
Quem sabe o que já perdi por não ter prestado atenção aos pequenos sinais? Porque já foram pequenos, mas agora são enormes, evidentes e não deixam equívocos!

Realmente não passo de um mero peão num jogo de xadrez...

.. mas desengane-se quem julga que um peão é apenas um mártir num tabuleiro de 64 casas!

Todos nós somos peões, mas podemos fazer a diferença. Gosto de viver a pensar nisto!

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

De que(m) falas?

8:27 p.m.  
Blogger Fonzi said...

Falo do arrependimendo, da ignorância e da cegueira. De tudo o que me marca, mas só depois de estar debaixo do meu nariz.
O arrependimento de não ter vislumbrado por mérito próprio é mais que muito, se bem que no fim, (quase) tudo acaba bem.

8:48 p.m.  

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